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Há luz da pena

Há luz da pena

Impressões de sabores e sensações de infância

Sabores de infância.jpg

Costumava levar almoço de casa e um dos pratos que se fazia era “bacalhau podre”. A vigilante que estava conosco perguntava sempre do que era feita a receita. Já não a podia ver quando abria o termo e dava de caras com o bacaulhau. Era trigo limpo que o almoço stressante. Também quando era hora do lanche o leite com chocolate era servido nas canetas de metal mas que eu tinha que conter a respiração devido ao sabor do leite com o contraste do metla. Era uma falta de ar, ui. Quando na outra escola me serviam daquelas sopas que eu me vomitava toda devido a ter pedacinhos daqueles aromas como ortelã ou outra coisa terrivel para mim.

Coisas de infância II

Aquela coisa marcada que parece uma linha é um aranhiço fossilizada ainda à epera de um enterro digno, está lá na almofada que confortou as nossas cabeças em plenos dias de sol também feita de lona. Um bocado de papel no chão que a vassoura varre com o resto do pó do tempo descobre a cor verdadeira que é o chão. O lago que tem peixes, contemos para ver os que faltam mas os números atrapalham-se e ficamos com um cálculo. A mão já com o miolo de pão, não interessa molo ou duro, vai-se fazendo bolinhas pequenas com estas e deitadas em onda pela água que os peixes vêm ao encontro e aglutinam de uma só vez. Assim já se tem a precepção mais nítido do cálculo que atrás se fez. A bicicleta com a corrente solta não hà corridas nem coisa nenhuma, então tem que se pôr de rodas para o ar e com os pedais os pneus tomam velocidade e o som que parace o vento fazem um vu uuuuu. Não esquecer o óleo para não prender mas as calças desse lado tem que ser arregaçadas. Os armários ao abrirsse renovam os nossos olhares de memórias e recordações, a camisola que não serve ou o garfo que ficou esquecido pela presa de mais uma corrida rápida para aproveitar o pouco tempo que se tinha. As camas têm que ser feitas com os lençóis rígidos e as fronhas como a goma pegada e o cheiro a contar como teve o tempo. O pão comprado cedinho pela manhã ao som da passarada alegre, livre e sem pressa. O chá, o leite e o café esfumam nas respetivas púcaras, bule e leiteira. A manteiga acabadinha de estriar é crucificada com os primeiros golpes de uma faca bébe e que ao tocar no miolo do pão dança uma volsa iressistivel. O sol já mais alto oferece à casa um ar já menos bolorento, húmido e espesso. A casa da lenha que é o palácio de qualquer aranha e outros que se prezem, também é o campo de batalha destes. Os utensílios de jardinagem e carpitaria com o martelo, ansinho, vassoura, caixa de pregos e parafusos, … estão arrumados em pregos na parede numa ordenação lógica. O cheiro aí é mais acentuado e pouco esplicito pelas misturas de diversos aromas mas, que quase nos asfixia e nos provoca falta de ar. Vimos cá para fora apressados já com a boca aberta que nos obriga a começar apaladar depois de tentar nos sufocar até ao último minuto.

Coisas de infância I

 

bola nivea praia.jpg

Coisas que não esqueço quando acabava o ano lectivo, a camioneta que levava tudo para a casa de férias e até o cão e o piriquito. Os lençóis a cobrirem as cómodas e sofás da sala. As roupas que já não servem fora do guarda-roupa e gavetas. Os brinquedos que já não usamos para os primos mais novos e os brinquedos também. Alguns livros completavam esses sacos, pois os livros todos juntos pesam. As várias taças cheias de marmeladas acabadas de fazer ao longo da pedra de mármore da cozinha. Os frascs com geleia. O cheiro da cera que a enceradoura faz brilhar o soalho de madeira. A entrada de casa com o seu cheiro caracteriístico a mofo que nos faz mergulhar no bom descanço das férias. A cadeira de lona machada pelo tempo, até lhe fica a matar. Uma bola debaixo da roda da bicicleta que fora à presa guardada quando se regressou à rotina. Pneus esvaziados das bicicletas prometem muita força de mão. O saco de lona também manchado com um pouco de areia da praia na última ida a esta. As alpegratas esfoladas que estão à espera de serem substituídas por aquela loja junto à praia que também têm os livrinhos de passatempos, cruzadex e palavras cruzadas. E aí talvez se veja mais alguma coisa que na mente não tenhamos lembrado antes. O sentir na pele a areia quente e confortável mais a toalha e o creme de bronzear mais o chapéu. A àgua do mar fria que com a planta dos nossos pés fica marcada e faz pocinhas de água onde mais tarde seca é frágil. O sabor da sanwiche de queijo ou fiambre com manteiga é glutinada num instante. Os jogos na praia são “o prego” e o “disco voador”. Mas cuidado pois tem que se ir para uma parte que, não incomde e para que fiquemos todos bem-dispostos. A bola a dizer “NÍVEA” é o triunfo de qualquer um naquela praia para pôr no lixo o respectivo, não se sacode toalhas de qualquer maneira, diz-se “obrigada”, “adeus” ou “até amanhã”. O amigo ou amiga da fulana e da sicrana também são amigos. A bola de Berlim feitas pela pessoa de mais respeiteito e amiga da praia que sabemos que, se levanta cedo para o nosso momento aí não ser em vão. O livro ou revista que fica cheio de areia porque, de repente, o mar chamanos e não tarde a maré enche e temos que nos ir embora.

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