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Há luz da pena

Há luz da pena

Coisas de infância II

Aquela coisa marcada que parece uma linha é um aranhiço fossilizada ainda à epera de um enterro digno, está lá na almofada que confortou as nossas cabeças em plenos dias de sol também feita de lona. Um bocado de papel no chão que a vassoura varre com o resto do pó do tempo descobre a cor verdadeira que é o chão. O lago que tem peixes, contemos para ver os que faltam mas os números atrapalham-se e ficamos com um cálculo. A mão já com o miolo de pão, não interessa molo ou duro, vai-se fazendo bolinhas pequenas com estas e deitadas em onda pela água que os peixes vêm ao encontro e aglutinam de uma só vez. Assim já se tem a precepção mais nítido do cálculo que atrás se fez. A bicicleta com a corrente solta não hà corridas nem coisa nenhuma, então tem que se pôr de rodas para o ar e com os pedais os pneus tomam velocidade e o som que parace o vento fazem um vu uuuuu. Não esquecer o óleo para não prender mas as calças desse lado tem que ser arregaçadas. Os armários ao abrirsse renovam os nossos olhares de memórias e recordações, a camisola que não serve ou o garfo que ficou esquecido pela presa de mais uma corrida rápida para aproveitar o pouco tempo que se tinha. As camas têm que ser feitas com os lençóis rígidos e as fronhas como a goma pegada e o cheiro a contar como teve o tempo. O pão comprado cedinho pela manhã ao som da passarada alegre, livre e sem pressa. O chá, o leite e o café esfumam nas respetivas púcaras, bule e leiteira. A manteiga acabadinha de estriar é crucificada com os primeiros golpes de uma faca bébe e que ao tocar no miolo do pão dança uma volsa iressistivel. O sol já mais alto oferece à casa um ar já menos bolorento, húmido e espesso. A casa da lenha que é o palácio de qualquer aranha e outros que se prezem, também é o campo de batalha destes. Os utensílios de jardinagem e carpitaria com o martelo, ansinho, vassoura, caixa de pregos e parafusos, … estão arrumados em pregos na parede numa ordenação lógica. O cheiro aí é mais acentuado e pouco esplicito pelas misturas de diversos aromas mas, que quase nos asfixia e nos provoca falta de ar. Vimos cá para fora apressados já com a boca aberta que nos obriga a começar apaladar depois de tentar nos sufocar até ao último minuto.

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