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Há luz da pena

Há luz da pena

Momentos que pareciam uma internidade

Quando eu estava na “alçada” dos meus pais tinha que, claro, fazer o que eles queriam. Umas coisas eram agradáveis mas outras nem por isso mas tinha que as fazer. Uma dessas coisas era ir à missa. Havia coisas bem piores mas, se eu pudesse escapar, melhor. Estar ali a sentada num sítio enorme, as poucas velas mantinham-no escuro, o cheiro das velas dava um aroma característico, o soalho lustroso convidava a uma dança de sapateado ou um escorrega de última moda, o sussurro de não incomodar ou não ouvirem, os passos rápidos, os olhares contidos mas cheios de fé devotavam o altar com o cristo na cruz, os vultos passavam vestidos de roupa e sapatos, trajes que não mostravam quase a cor de pele e uma ou outra cara conhecida por terem coincidido ir à mesma hora e não vermos a tal pessoa porque veio mais tarde e o lugar que era-lhe “destinado” já estava ocupado. No começo da celebração da eucaristia sentados e depois de pé dava-nos alento para a situação que aí vinha. Por vezes as vozes estridentes ou sumidas davam mãos dadas aos pontos de interrogações e o raciocínio era como se fosse um barulho de cartas a desmoronar-se. Mais um sentar e ficar de pé fazia-me um aperto na barriga, lembrava me o que tinha comida na véspera, porque antes da missa pelo menos 1 h não podia tragar nada. A posição era aquela e não podia-a mudar. Tinha pessoas nos meus lados e atrás porque à frente era o espaço e seguia-se o parapeito lá para baixo. As minhas nádegas bem apertadas perdiam força até me derrotarem. O meu olhar fixava a figura de cristo, até parecia, dali, estava lado a lado. Preocupava imenso as pessoas que estavam atrás de mim. Imaginava-as com os olhos de carneiro mal morto ou os narizes a deitarem fumo. O sermão do sr.º padre às vezes tocava me profundamente outras vezes os olhos cerravam e o sono leve mas firme andava a passear nas pálpebras calmamente, dando a ideia da sincera reflexão nesse dia, para depois se abrirem no nascer de um novo dia.

Muita bondade para pouco asseio

Olho escondido.jpg

Trabalho num sítio que os transportes públicos foram sempre muito difíceis no aspeto da quantidade, horário e pessoas que o frequentam. Sei ou sabia o que era esperar o autocarro à chuva, vento e com sol. Quando ele não vinha a horas porque se avariava ou porque apanhava trânsito e, por isso já não faziam o autocarro seguinte. Chegava a esperar por ele 1h 30m. Uma colega minha quando saio com aquela que me dá boleira, perguntou à outra que estava na paragem se queria ir de carro e ela, claro, disse que sim. Eu sabia bem o desagradável de estar ao pé dela porque já tinha tido várias experiências com ela ao pé. O aroma entra-me pelas narinas sem cerimónias e alojasse na cana do nariz fazendo toda a “despensa” ao seu belo agrado. Aqui há uns anos esteve a trabalhar diretamente ao público e houve quem a quisesse ajudar, oferecendo-lhe produtos de higiene que ela um dia afirmou que tinha dado à filha e que, esta, tinha gostado muito. Não é só higiene mas sim pouca água no corpo e vestir sempre a mesma roupa. Nessa altura estava eu no gabinete com mais colegas minhas e ela de vez em quando tinha que lá ir e já ela estava a abrir a porta, eu estava a dizer que a fulana vinha lá. Maldade, sim eu sei, mas a vida custa a todos e aqui há tempos como ela respondeu por outro assunto só merece desprezo e distância.

Teclano do computador à maneira de cada um

Teclado do emprego.jpg

Quando nos deparamos com dias menos bons é uma trutura. A monotonia e o rame rame apresentam-nos doentios. Sorriso amarelo é o que nós temos à frente e, mais nada. Ainda sacudimos o rato do computador e o fio vai para o lado que queremos mas são por meros segundos e a irritação fica ao rumbro. O nosso sopro é sonoro mas controlável, caras que, deslumbramos de résvez, apontam nos cheios de pontos de interrugações e ainda há tanto tempo para o fim do dia. Surgem novas ideias para nos puxar a moral ou para disfarçarmos a nossa irritação. O “se” é a palavra-chave que nos espevita naquele momento. Reparamos em coisas que nos podia facilitar a vida laboral e que se, mais calmos, nem imaginamos que pudéssemos passar pela cabeça. Não fazemos nada no trabalho sem o teclado e com o rato. Reparei, então, que podia haver o “enter” à esquerda ao pé da tecla “Caps Look”. Quando temos a mão direita no rato e escrever com a mão esquerda nas teclas desse lado para depois de carregar o “enter” temos que ir para a direita. Ok, prometo que se houver alguns teclados como eu quero não me irrito. Será que vou tê-lo?

Idade tão parva

Smile garota parva.jpg

Como não sou excepção passei, também, por a idade da parvalhada. Lembro-me de ter recebido uma telefonia pequena. Andava radiante por ter uma telefonia pequena que dava para pôr na bicicleta e poder ouvir tal como as pessoas crescidas nos automóveis. Montada na bicicleta luzco fusco para poder ver com os faróis da minha nova bicicleta e a telefonia no posto onde a músicam me agradavam, fingia que passava pelas ruas da cidade ou de uma vila e que ia ao pão, buscar crianças, ver a tia, dar boleia ao primo, ao posto abastecer, etc, etc. De vez em quando e quando me lembrava dava cada volta grade e enorme porque me esquecia de alguma compra. Era uma chatice!!! Mas, cá para comingo adorava andar de bicicleta. Um dia chatiei me porque a telefonia não me “abedecia” porque queria que ela com um simples cordel estivesse debaixo do banco ou no volante. A segunda chatice era quando eu dava a volta e lá se ia o posto que estava a ouvir e aparecia uma chato qualquer a falar ou outra música que não suportá-la. Era assim os meus fins de tarde no meu jardim na casa de férias grandes.

A lista dos telefones ransurosa

Agenda telefónica automática.jpg

Em casa da minha mãe havia um livrinho dos telefones automático. A grande “atração” do momento que nos desliciava os dedos e era tudo num ápice. Sintuavamos na letra que solicitávamos e zás carregava-mos no botão e a lista abriasse. As folhas já estavam tão ransuradas devido às mudanças sucessivas que, apesar dos números e as letras, já estarem escritas e reescritas os olhos já obedeciam ao lugar que se encontrava. Por brincadeira de miúdos situávamos na letra e clicávamos no botão e aquilo disparava dando um salto. Por fim a brincadeira saia cara devido às folhas desmembrarem se e quando disparavam estas saiam e depois tínhamos que as pôr por ordem e sem as dobrar.

Série “A verdade sobre o caso Harry Quebert” canal 61 da NOS

Graças a Deus que li vários blogs sobre este livro e também, um deles, que ia haver a série. Fiquei em “pulgas” com o que li de opiniões favoráveis. Não comecei a vê-lo sentada no sofá, a olhar para o relógio, nem a bater o pé impaciente. Um dia estava eu a ver se via alguma coisa interessante e ia cliclando em vários canais até achar um a meu belo agrado. Dei de caras com o título que me avivou a memória para o tal blog. Comecei a ver mas também com o intuito de lêr o livro por isso e como tinha coisas a fazer, desliguei a televisão. As imagens que eu vi nessa altura e as opiniões foram mais fortes e, enquanto, estava a fazer a lida da casa, vinham à minha memória o que tinha visto. Por estar à espera de ler o livro e de ver a série pesou mais, ver. Fui logo envolvida pelo enredo de uma vilazinha pacata, todos se conheciam, com algumas casas acompanhadas com paisagens fabulosas e depois com o próprio escritor e defender um outro escritor. Foi esta última que me fez também me prender ao televisor. Agora imagino como será o livro, ui, pois todos “temos” opinião que o livro é sempre melho que o filme. Pois é, então lê. Lerei, ok.

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