Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Há luz da pena

Há luz da pena

Situações

Há alguns anos atrás, devido às horas e paragens dos transportes públicos no local onde moro serem um pouco “passo de espera” contentava-me poder usufruir de uma “viagem turística”, antes de chegar ao meu emprego.

Apanhava um autocarro, caminhava alguns metros para chegar à outra paragem e esperava um certo tempo pelo segundo autocarro. Depois de algumas semanas de fazer esse trajeto acostumava-me a que uma fulana passava a uma determinada hora ou o sicrano esperava uma boleia do colega ou a senhora que passava com um cãozinho cumprimentava-me ou ainda aquela pessoa que passava por mim carregada com um saco para entrar num prédio ali perto ou uma senhora que saia de sua casa e estando 1 minutos ou 3 à espera vinha a filha ou a nora busca-la. Passados alguns messes largos de fazer esse trajeto já me habituava a vê-las e até quando não a via perguntava-me “- Que era feito delas?”. A primeira coisa que eu fazia no outro dia era estar atenta para as ver, quando me lembrava. Quando eu me atrasava ou porque tinha que ir algum sítio eram elas próprias que me perguntavam o que me tinha acontecido. Isto tudo ajudava-me a passar o tempo monótono enquanto a camioneta alguns dias tardava a aparecer ou então seria abolida por causa de alguma avaria.

Assim, conjugava-se uma certa “amizade passageira” e oferecíamos um vai e vem de pura distração. Era assim nas paragens de autocarros como dentro do autocarro que, a “fulana” apeava-se antes de chegarmos à câmara municipal ou o “sicrano” que vinha com o jornal na mão e que ficava na porta a falar em conversas banais com o motorista ou ainda o “beltrano” que quase ou sempre vinha a correr para apanhar a camioneta. Criava-se então um clima de amizade, de camaradagem e de talvez familiar que era bonito de se ver. Eu própria já “gostava” daquilo devido, às pessoas irem para casa e trazerem algum reparo, esclarecimento ou outra coisa qualquer que na altura surgisse.

A camioneta transportava passageiros com algum problemático, era na maioria os passageiros e quando saiam eu sentia um certo alívio desde o aspeto e ao silêncio que deixavam para trás. Assisti a, algumas cenas que não era nem pensar para cardíacos.

 

 Galgar o assento

Um dia estava eu num lugar na camioneta quando, aguardava que esta parasse para me levantar e deixar passar a pessoa que estava a meu lado quando, este mesmo antes do autocarro parar punha os pés no banco e passando cada uma das pernas para o banco de trás e desceu da camioneta.

 

Medo do avião

O autocarro costumava de dar uma volta muito grande passando pelo tribunal, perdia aí uns bons 5 a 6 minutos. Este situava-se num sítio elevado com uma vista bastante simpática devido a poder-se ver com pormenor quintas com o cão atrás das ovelhas e o seu pastor ou então os cavalos a usufruir dos primeiros raios de sol. Apesar da minha malga de café, tomada sossegada e indispensável no banco da cozinha, eu um dia dei largas à imaginação. Resolvi, vislumbrar por entre o nevoeiro típico desta região que apresentava-se em várias camadas como se fosse claras em castelo num bolo o focinho de um avião e, quanto mais eu necessitava definir com a vista mais me convencia que o era. Tive que desviar o olhar senão os meus gritos tomavam conta de mim e punha as pessoas que, calmamente conversavam, em polvorosa. Só descansei quando a camioneta acabou de tracejar a curva e prosseguiu outra até alcançar outra direção. Olhei em meu redor e as pessoas continuavam como se nada fosse, e nem pareciam notar para aquela minha imaginação tenebrosa.

 

Queima?

Esta camioneta que tinha o terminal noutro lugar e longe das outras de 2.ª a 6.ª, eu aguardava aos 10 minutos para que ela inicia-se a viagem. A minha pessoa aproveitava a situação para fazer, fazer revisões de inglês que estava a estudar numa formação que o meu emprego dava aos funcionários ou relia uns escritos meus para pôr no meu trabalho quando chega-se o momento certo. Á medida que o fazia eu estava atenta devido aos meninos que iam nessa camioneta a serem mal-educados para as pessoas, e a mim também, aliás. A minha pessoa resolvia escrever dia sim dia sim para a empresa a queixar-me por causa das coisas inconcebíveis que as pessoas comentavam e também quando eu via. Um dia, quando eu esperava naquele terminal verifiquei que havia alguns mal-educados que estavam no último banco a queimar qualquer coisa porque cheirava-me a queimado e também os ouvia rir. Eu anotei todos os elementos que precisava para quando fosse falar sobre o assunto a minha pessoa fosse firme e exata nas minhas acusações. Apercebia-me que liam o que eu escrevia devido a dar conta de quando eu descia passado pouco tempo passar um carro da polícia que ia atrás da camioneta. Houve um dia que entrei nesta e um polícia encontrava-se ao pé do motorista, devo ter feito uma cara que ele logo a seguir disse-me para eu subir que não fazia mal. Sentei-me e o sururu deve ter falado qualquer coisa ao polícia sobre a situação da minha pessoa.

 

A porta estava estragada

Houve dois episódios muito engraçados. Estava aquela chuvinha de conta-gotas e já me doía todos os ossinhos, a camioneta não aparecia. Não era só eu mas mais pessoas que desesperávamos, até que depois do tempo infinito lá apareceu ela fiz uma grande festa e se tivesse ali algum foguete atirava-o de imediato. Depois de fazer a curva lançou-se pela reta que esqueci da tão desejada e enchi-me de mau humor porque esta parou muito mais à frente de onde estávamos. Claro que julgávamos nós que não esperava, devido a vir muito cheia e a certa altura parou. Estávamos já a dirigir para a porta da frente quando alguém nos chamou por trás e comunicou-o que a porta da frente estava estragada e a entrada era por aquela. Entramos, pedimos desculpa, retiramos as palavras todas que dissemos de mal seguimos viagem.

 

Anedota?

O outro episódio foi que o motorista estava a contar ao grupo da frente o que lhe tinha acontecido há pouco tempo e muito sui géneres. “Uma pessoa não estava com vontade de pagar o bilhete e nesse dia eu até estava cheio de paciência e resolvi dizer que esperava enquanto ele ia obter as moedas necessárias para o pagamento…contava o motorista…pouco depois veio e afirmou que tinha ido ao multibanco e apresentou-me as moedas para pagar, dizendo que tinha ido ao multibanco. Bilhete saído, quantia paga, sentou-se no lugar e eu depois comecei a pensar e perguntei a mim mesmo: “-Não sabia que agora se podia levantar moedas no multibanco?” O motorista acabando de contar isto e ainda alguns estavam a acabar de raciocinar, uma senhora afirmou: “-Então agora pode-se levantar moedas no multibanco?” Foi gargalhada geral.

  

A penúltima viagem

Normalmente onde há bom há mau. Os horários das camionetas mudaram assim como as paragens, nunca mais me esquecerei da “última viagem” que eu fiz com um simpático motorista. Achei estranho que naquele trajeto minucioso que ele fazia há bastante tempo tivesse havido alguma falha porque, anos e anos de tanta experiência era impossível. Até inclusive, a certa altura, a própria camioneta tem mesmo que serpentear como se fosse uma serpente devido a rua ser bastante estreita, recortada e ter que se encaixar. Dei a razão a que talvez houvesse uma falha técnica ou outro mecanismo na própria camioneta porque a minha ignorância era fértil ou seriam sempre as mesmas falhas como o travão, a vela ou alguma coisa no tumbo de escape. Não se queixou, não disse nada mas sim só fez uma coisa a sua função como todos os dias que, era guiar. Nunca mais guiou então. Soube que estava bastante doente e que em junho falecera. Fui muito bem servida por este funcionário e nem o patrão dele nunca quisesse saber nem ver o tá bem serviu. Os colegas lá foram à sua terra para se despedirem. Bem aja.

1 comentário

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D