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Há luz da pena

Há luz da pena

Pedaços infantis, cheiros e sentimentos

Tempos largos atrás, fazíamos jantares no verão num restaurante, qualquer coisinha eramos muitos e qualquer coisa, eramos imensos. Devido à nossa preferência ser a mesma e fiel o percurso era um só. Ainda para dar mais enfâse ao programa o meu pai lavava-nos de carro, só faltava a cadela, mas ainda estávamos a aconchegar no banco de trás do carro já nos davam ordem para nos levantar outra vez. De regresso o estar à mesa depois de um dia cheio de campo ou de praia, o carro lavava-nos a pensarmos que o percurso era mínimo mas, meu pai conseguia-nos despertar do sono semi-pesado ou semi-leve e ainda nos fazer rir para mais umas cursos e contra curvas de caminho.

 

Nesse passeio não fui devido a ser ainda criança de berço foi a um passeio ao castelo e o que me disseram foi que as crianças para cima carregavam as suas merendas. Foram visitar todos os cantos do castelo que só havia ruínas, as corridas correndo no ar puro e límpido deu lugar à merenda ser mais apetitosa e a paisagem deslumbrante ainda que não dessem conta estava lá a quem a queria ver. Passou o dia e o regresso chegou quem acartava as mochilas vazias tiveram dó por ver e ouvir o “estou cansado”. Pensando que quem chega-se a casa e fosse descansar enganou-se pois as corridas correndo prolongaram-se até à hora de deitar.

 

Lanches apetitosos quando chegava da escola no carrinho de chá depois de fazer a vénia às tias que alegremente me viam ou me olhavam e mediam (“tão crescida”). O cheiro a vários perfumes sufocavam-me um pouco e respondendo por vezes faltava-me a voz que se misturavam na garganta e engolia com a ajuda da anelação o amargo sabor. Ao longo do comprido corredor deixava a maior parte destes odores e tratava de tirar o sabor com os deliciosos restos de torradas empilhadas de pão de forma cortadas, o chá numa chávena perdida com açúcar escuro, as fatias de tartes de maçã que estavam à minha espera completava o meu olhar, ainda um ou outro bolo que tragava deliciada era o que eu sonhava na última aula desse dia antes de chegava a casa. Saciada, eu sabia que tinha uma tarefa como prémio que era colocar aquela loiça na máquina de lavar. Valera a pena ir colocando uma ou outra coisa enquanto procurava uma colher ou garfo, faltava pouco. No final dirigia-me para o quarto para estudar, arrumar a pasta para o dia seguinte e fazer os deveres, lá tinha que ser.

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