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Há luz da pena

Há luz da pena

Ouvidos de tísica não chegam ao céu

Como muitas das vezes, fui ao Domingo com o meu filho, 6 anos seguidos, para a catequese. Fico pávida e serena à espera cerca de uma hora e pouco. Observo, olho e reflicto. Enquadro-me sim em Deus que é Divino, Bom, Sofredor, Amigo, etc, etc,. Mas não me enquadro em algumas pessoas enquanto estou lá à espera, observo e reflito. Aquela minha espera é calma, sossegada e dá para a minha pessoa ler o livro que estou a ler mas, outras vezes é impossível fazê-lo com a devida concentração que as letras juntamente com as palavras me vão dar à frase dando um sentido coerente que o livro merece e resta-me só uma opção fechar o livro. Olho o relógio e também o sino da igreja toca violentamente a anunciar que são 10 e meia. O meu livro já no saco que eu calmamente e cheia de tristeza guardei ainda penso ir para o corredor numa cadeira mas tiro essa ideia tentando-me concentrar na conversa que mais me identifica.

Porquê?

Sei, lá!!!

Talvez ainda valha a pena aprender alguma coisa neste espaço de tempo que ou Sábado ou Domingo lá vão 6 anos.

Pois já aconteceu a senhora do bar, quando um senhor, chegou ter-lhe informado que em tal sítio haveria um caixote da câmara que lhe prejudicava a visão quando esta chegava com o seu carro e tinha que parar para se certificar se não haveria ninguém a passar para ela prosseguir a caminho na via mas que ainda assim tinha receio que lhe batessem.

O senhor logo se prontificou de lhe perguntar as ditas referências para providenciar o pedido.

A minha conclusão foi que ele era um sujeito da câmara muito influente e que pelo sim e pelo não estava no “caça ao voto”. Mas isto tudo para eu reafirmar que nestes passos de espera com ou sem paciência por vezes vimos onde e como são as pessoas.

Ontem até estava esse sujeito, as conversas eram distintas e não se incomodavam pois a animação dos três grupos até estavam bem posicionados na sala. Um deles dividia-se por várias fracções de segundos em dois. O grupo mais perto de mim fez-me pensar duas vezes para religiosamente não continuar a ler.

“…não sei quantas, está quieta…! Afirmou a repreender a miúda. Pulei assustada do banco onde me encontrava ele continuava. “…e o ensino…” Não me interessou para além de eu saber que era indecente elevar o tom de voz num lugar público, as pessoas do outro grupo parecia que não tinha dado por aquilo. Esse, o mais animado, estava uma senhora que afirmava com uma voz redentora: “….mas como é que me esqueci?!?!...Ó dona não se apoquente, não fique assim depois trás...” “mas eu dizia para comigo que faltava qualquer coisa…sim…” O terceiro grupo mais longe de mim falava pausadamente e muito baixo mas reinava a armoria tendo o senhor do “caça ao voto” ter ido lá mostrar qualquer coisa. Mas o grupo mais animado continuava, “…espera Dona eu vou ao…escute lá…vou ao congelador e tiro” Foi lá dentro e depressa veio com um saco dentro de outro saco.

Olhei mais uma vez para o meu saco onde estava o meu livro e perguntei à minha pessoa se eu estava para aquilo. Apesar disso a senhora não se cansava de afirmar “…mas como é que eu fui capaz…é que a última vez que fiz o bolo foi em Novembro e agora era eu outra vez…ó senhora já lhe disse que não faz mal, está aqui o bolo…mas está congelado mais nada…até se pode pôr no micro-ondas, não? Ouviu-se, entretanto e esbocei-me um sorriso abraços com uma gargalhada. Nisto apareceu mais uma pessoa que se juntou a este grupo, num instantinho puseram-na ao corrente do sucedido e a sua opinião foi o suficiente para ser o centro das atenções com novas gargalhadas. O grupo junto de mim já não dou por ele e o outro, mais longe, assim calmo, sossegado começou e ficou até eu ir-me embora. Sinto passos na escada e já o meu filho está junto de mim. Felizmente naquele dia aquela hora que parecia interminável tinha corrido num ápice. Ao pisar a calçada apeteceu-me andar aproveitando o ar da natureza que naquele dia estava bem agradável. A minha pessoa já saturada de tanto frio e chuva conseguiu convencer o meu filho a ir andando de paragem a paragem até às horas que este partiria da estação para estarmos na paragem mais longe que podermos de maneira a apanhá-lo.

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